Os envolvidos no Catargate
Por David S, Moran
O escândalo em Israel, que agora toma um volume maior, é o chamado Catargate. Estão envolvidos nele o conselheiro do primeiro-ministro Netanyahu, Yonatan Urich, Eli Feldestein, seu porta voz militar, e Israel Einhorn, dono da Perseption, que está na Sérvia e não retorna a Israel para ser interrogado.
Tudo começou em novembro de 2023, quando o jornal alemão Bild publicou uma reportagem sobre como a organização terrorista Hamas conduziu as negociações pela libertação dos sequestrados israelenses em seu poder. O propósito do vazamento do documento parece ter dois motivos: um, o de mostrar que a liderança das Forças de Defesa de Israel e da segurança (Shabak e Mossad) não passam todas as informações ao primeiro ministro Netanyahu, e dois, de dar a impressão de que é o Hamas que não quer negociar e não Netanyahu.
Logo se percebeu que o documento passou por manipulação e as investigações levaram a conclusão de que Eli Feldstein, porta voz militar do premier Netanyahu passou o documento ao Bild.
Ele foi preso e mantido na prisão algumas semanas.
Netanyahu é conhecido por vazar indiretamente informações que lhe favoreçam politicamente. Como sempre, Netanyahu acusa oponentes de fazer e ou publicar fatos que não são reais. No começo, Netanyahu até negou conhecer Eli Feldstein, que é seu porta voz militar. Depois voltou atrás e elogiou o Feldstein por ser um patriota.
No mês passado, Urich e Feldstein foram novamente investigados pela polícia, sob a acusação de terem contato com agente hostil, quebra de confiança e lavagem de dinheiro. Seus advogados disseram que tudo é mentira. Negaram ter tido contato com o homem de negócios em países do Golfo Pérsico, Gil Birger, que segundo a acusação passou a Feldstein dinheiro de lobista do Catar. O(a) leitor(a) está confuso(a)? Não é para menos. Gil Birger alega que passou o dinheiro a Feldstein para evitar o pagamento de impostos.
No meio de tudo isto, Netanyahu resolveu demitir Ronen Bar, chefe do Shabak (ex-Shin Bet) por acreditar ele é hostil e quer tirá-lo da investigação dos seus conselheiros, achando que um novo chefe do Shabak lhe será mais fiel e não continuará a investigação. A procuradora-geral lhe disse que não pode nomear novo chefe, até que a Suprema Corte decida, em 8 de abril se a demissão entra em vigor. Mas Netanyahu não para no sinal vermelho. Em 31 de março as 6:53 da manhã comunicaram que entre sete candidatos, ele escolheu o General da Marinha (Res.) Eli Sharvit para chefiar o Shabak. Nomeação imediatamente abortada pela base do Likud, que acusou o candidato de participar de protestos populares contra o governo e de ter escrito um artigo contra a política ambiental do presidente Trump e que, D’us nos livre, de irrita-lo.
Voltando a Eli Feldstein. Ele foi reprovado na investigação de segurança, que todos os funcionários próximos ao primeiro-ministro têm que passar e mesmo assim trabalhou no gabinete. Ele não recebeu o seu salário do gabinete do premier e sim de um lobista de Catar que passava o dinheiro ao homem de negócios Birger, que passava a Feldstein. Este alega que este dinheiro era o seu salário, já que não o recebia diretamente do Gabinete do Primeiro-Ministro. Um fato é certo: Feldstein trabalhou para Netanyahu e todos os jornalistas sabiam que recebia instruções de Urich, conselheiro muito ligado a Netanyahu.
Evidentemente que Netanyahu não dá entrevistas e ou esclarecimentos sobre todo este escândalo. O primeiro-ministro boicota a mídia israelense, com exceção do Canal 14, que está a seu serviço. Ele não se comunica com o povo de Israel a não ser por meio de mensagens por vídeos. Evidentemente, Netanyahu nega conhecer os fatos acima relatados. Em todas as acusações ele vê complô dos que querem depô-lo.
Na terça-feira (01/04), enquanto Netanyahu estava depondo em Tel Aviv, no seu julgamento, em outra acusação, foi informado que está sendo requisitado para dar, em Jerusalém, a sua versão sobre seus auxiliares e sua ligação com o Catar.
Depois de serem inqueridos, Urich e Feldstein foram detidos. Netanyahu voltou a carga e criticou a polícia acusando-a de investigação de cunho político: “Eles pegam Urich e Feldestein como reféns”. O uso da palavra reféns revoltou muitos, porque é usada para ressaltar o estado em que estão os sequestrados pelo Hamas. Um outro auxiliar do gabinete do Netanyahu, Israel Einhorn, através de sua companhia de relações públicas, Perseption, e filho da Prof. Talia Einhorn, muito ligada a Netanyahu, está se refugiando na Sérvia e não retorna a Israel desde que eclodiu o Catargare. Ele, bem como Urich e o próprio Netanyahu tem o mesmo advogado, Amit Hadad. Um absurdo pois o mesmo advogado defende três dos quatro envolvidos no Catargate. Agora a Ordem dos Advogados de Israel pressiona Hadad a dizer quem é seu cliente, pois há conflito de interesses em representar todos os três.
Por fim. Sem dúvida, pessoas que trabalham no gabinete do primeiro-ministro (chamado de aquário) e que são expostas às informações mais sigilosas do país, não podem receber salário de um país estrangeiro, muito menos do Catar, que é hostil a Israel (basta ler o seu jornal Al Jazeera com todo seu anti-israelismo, antissemitismo e antissionismo) e que é o financiador da Irmandade Islâmica e de organizações radicais como o Hamas, entre outras.
Fotos: Instagram (Eli Feldstein) e X (Yonatan Urich)
Você continua na sua defesa ardente a um chefe de serviço secreto que falhou miseravelmente antes de 7 de Outubro, quando sugeria que o Hamas não era uma fonte de perigo no futuro próximo, mas um parceiro para paz, em 7 de outubro, e , até agora, quando não consegue libertar 1 sequestrado nosso, a não ser nos ridiculous acordos de cessar-fogo.
Você não é latino-americano? Ou já esqueceu que um país onde o chefe-de- estado não pode demitir o chefe do serviço secreto é a definição de uma ditadura? Ou você acha que, só porque o atual ditador, não eleito pelo voto ou por qualquer processo democrático, se chama ” juiz do Supremo ” , está tudo bem?